segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Oscar Wilde

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

3 comentários:

Cacá Ravizzon disse...

Li no blog da Veronica, os teus comentários sobre este tema que transcendente este plano e tanto se quer definir, a amizade. Tantos descrevem e nós, por ora meros mortais, nos contentamos em copiar e reproduzir... Agora, chegou a minha vez de te copiar...
Saudades...

renata disse...

sabe o que é mais legal? o depoimento que escrevi pra tua esposa (acho que a primeira vez que chamo a mari assim!!) começa exatamente com um pedaço deste texto! :)

beijos!!!

Thor disse...

=)

eu sei, Rê. É de um dos teus livros favoritos, não?

beijos!