quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

ausência intencional

Quase uma semana calado. Sim, minha culpa. Nada grave, nada anormal, apenas uma preguiça descomunal e invencível. Todas aquelas noites em claro lendo, escrevendo, projetando, desenhando, cobraram seu preço. Não que as idéias não surgissem e se desenvolvessem na minha cabeça, mas a moleza e o cansaço eram tamanhos, que não escrevi, sequer lembro o que era. Meus sentimentos e motivações estão estranhos. Sinto como se a vida parasse de repente e nada mais pudesse ser feito. Tenho pensado em muitas coisas. Tenho pensado na morte. Culpa de Virgínia, que me toca de um jeito estranho em suas reflexões perdidas do Mrs. Dalloway. Ainda não acabei o livro. Falta pouco. Mais uma culpa da minha preguiça. Mais uma culpa minha. Estou sentindo meus textos fluidos. Caóticos, mas fluidos. Posso divisar meu passado com muita facilidade, posso divisar o presente, a percepção estranha na rua, as idéias bizarras que me ocorrem e correm e fogem para onde não posso vê-las. Onde os outros não possam vê-las. Tenho me notado muito diferente do que eu mesmo imaginei. A idade avança e me surpreendo. Às vezes fico chocado. Talvez devesse ter vivido a vida de uma maneira diversa. Fui covarde com algumas coisas. Acomodado com outras. Hoje consigo viver maluquices na minha cabeça. Mas ainda só na minha cabeça. O curioso é que depois de todos aqueles desabafos sobre a vontade de não ser eu mesmo e de ser outra pessoa não me mostraram que talvez eu não fosse exatamente daquele jeito. Não sou assim, sou múltiplo. Desfocado. Palavrinha linda. Nem lembro de onde a copiei. Nem lembro se na época eu estava ou não atrás de definição. Talvez sim, sempre estamos. Então alguém me disse, ou vi num filme, ou li num livro, e me identifiquei. Me vi refletido no significado. Ando procurando outros significados. Meus dias tem sido bons, diferentes. As pessoas a minha volta têm se mostrado especiais. E eu, louco. Completamente surtado. Acho que pra me livrar desse cansaço preciso de um pouco de isolamento, de solidão, de desconexão. Estranho este mundo moderno onde as necessidades que nós mesmos criamos nos prejudicam, nos fazem adoecer. E eu aqui, divagando sobre o que pouco interessa ao mundo, e você ali, lendo, se é que há alguém, e no mínimo se perguntando porque eu ainda estou solto, insano desse jeito, neste mundo perdido de hoje. Não sei. Só sei que foi assim.

2 comentários:

poetriz disse...

Quando comecei a ler o texto me identifiquei. Ando calada, preguiçosa, ocupada, com motivações (se é que existem) estranhas.
Mas então descobri que o que tenho vivido é só meu.
E é bom descobrir-se. Descobrir ao menos o que não se é. "Múltiplo. Desfocado."
Você aí se questionando. E eu aqui, ainda refletindo sobre os sentidos das palavras...

Bjs!

Flávia disse...

Não, eu estou me dizendo 'ainda bem uqe você está solto'. Deveria ter mais gente assim solta pelo mundo.

Beijos :)