terça-feira, 15 de agosto de 2006

Dias de silêncio...

"Nada mais insuportável
que um homem temer
os seus próprios silêncios."

Não, não chega a tanto...
Não há um temor neste silêncio, mas consciência.
Olho pro que escrevi nestes últimos tempos, e decididamente este é meu infinito particular. Desconexo, desfocado, perdido. É a minha cara...

É engraçado isso. Alguns dias o tempo me falta, noutros a vontade, noutros a inspiração. Leio e escrevo sobre milhares de coisas, mas nada muito profundo ou pessoal ultimamente.

Estarei me tornando superficial? Não, sei que não. Talvez as idéias estejam rasas demais, em função da grande quantidade de acontecimentos. A cabeça fervilha com mil e uma novidades. Andei lendo muito ultimamente, estudando, vendo e fazendo coisas novas. Ainda assim fica aquela necessidade de mais tempo, de espichar as horas, criar vácuos, dormir menos, sobreviver de cafeína.

E estranhamente os anos começam pesar. Sei, não sou velho, mas acho que perdi o pique de revirar madrugadas em claro sem sofrer grandes conseqüências que não um bocejo ou outro no dia seguinte. Tenho trabalhado muito, cansado muito, e dormido pesadamente nestes últimos dias, a briga com o relógio é uma constante, principalmente nas manhãs.

E a briga com as decisões - o problema de querer mil coisas é que o tempo é justamente um só, e não é tão flexível. Foco n'algo, o resto me escapa. Ou me abandona, ou eu que abandono. Por isso andei sem escrever...

Será que haverá um dia em que conseguirei ter e fazer tudo? Ou quase?
Duvido muito, maldita ambição humana. Mas não reclamo. A vida anda melhor a cada dia...

3 comentários:

Ingrid Steinstrasser disse...

Olha, não acho que tenhamos de provar alguma coisa pras outras pessoas por meio de um blog... Eu escrevo merda e me faz bem, é a minha terapia, eu amo e, se não gostam, que não leiam.

Se tu tá numa fase de não escrever nada muito denso, ou porque tá sem inspiração, ou por causa de falta de tempo, ou whatever, azar. O espaço é teu e tu usa como quiser. Agora, se a consciência pesa, são outros quinhentos. Só espero que tu não termine o blog que nem a Rê fez porque é muito triste.

Hoje me arrependo de ter tirado do ar o just let me (meu blog antigo)...

Era isso.

Anônimo disse...

Olá!

Eu, pessoalmente, só escrevo quando tenho algo válido - em meu ponto de vista - para dizer.

Aparentemente, não tenho muito o que dizer, em vistas da minha terrível média de atualizações.

Bem, foco é para lâmpadas. Tem é que ficar ligado em tudo mesmo.

Abraços!

Tiago

Léo disse...

Entendo muito o que vc quis dizer. Me acontece também. Nem sempre acordamos com pensamentos profundos e existencialistas. Ás vezes quero falar do trivial. Ás vezes nem isso consigo. Tem dias que são tão cansativos e a vida segue num ritmo tão turbulento que fica difícil olhar para dentro de si e ver as coisas com clareza. tem dias que pesam, envergam a gente. Essa maldita ambição humana (das coisas subjetivas mais do que das concretas) acaba me matando também.
PS: Muito legal quando a gente se identifica em alguma coisa que vc escreveu. Nunca estamos sozinhos com nossos problemas. Viu, como seus textos fazem valer à pena escrever?