domingo, 19 de outubro de 2008

limite branco (2)

"Odeio pessoas ignorantes. Me sinto mau por não conseguir gostar de todo mundo, mas é o que sinto. Os ignorantes, os vaidosos, os usurários, os pedantes. Detesto tudo que é afetado, detesto quem não se busca. Quem se acostuma a viver, da mesma maneira que se acostuma a dormir ou comer. Viver fica uma coisa automática, pouco importa se boa ou má, vazia ou não. Basta viver, como uma obrigação da qual não se pode fugir.

Por isso admiro os suicidas. São pessoas que conseguiram descobrir alguma coisa de si mesmas, apenas não tiveram coragem de enfrentar essa descoberta. E, como se ela lhes desse vertigens, deixaram-se despencar no abismo. Mas são mais dignos do que esses que simplesmente se amoldam, sem exigências, sem perspectivas, mas também sem queixas. Lógico, se não pedem nada, queixas de quê? Roberto me deixou pensando que não é possível amar todas as pessoas, se pensarmos em cada uma delas como uma individualidade. Pode-se amar as massas, as grandes massas humanas sem feições, sem formas, nem cheiros - sem as palavras vazias de quem sequer tem a consciência de ser uma pessoa."

4 comentários:

Rodrigo disse...

Caio é o tipo de companhia para todas as horas. Fico pensando: como seria a minha vida sem ele? Confesso que não seria o mesmo.

Um abraço,

Rorigo .

senhorita_d disse...

belo trecho!! amei! :)

Windmaster A. Zack disse...

não é a primeira vez q vc posta isso no blog, é? i.i

Rodrigo Thor disse...

Zackie! È sim, já postei outro pedaço do mesmo livro =)
mas não este...