segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Devaneios

*inspirado em (ou quase integralmente transcritas de ) uma conversa com uma amiga.

Hoje sinto mais uma vez aquela velha solidão. Mas como julgar esse vazio como uma causa e não como uma conseqüência de meus atos? Fechar-me em muralhas intransponíveis não será o remédio para as dores de minha alma. Talvez me falte coragem de dizer o que sinto. Mais do que isso. Talvez me falte coragem de descobrir que na verdade não sinto. Sim, em vários momentos eu duvido que meu coração possa realmente sentir algo significativo por alguém. De fato a idéia de parecer tola e preferir a omissão não saem de minha mente, mesmo que isto não console meu coração. E aí vivo de constantes redemoinhos, vertigens, tempestades angustiantes que me consomem. Eu já vivi de sim e não várias vezes e confesso que após algum tempo tais respostas cicatrizaram as feridas. Hoje eu prefiro deixa-la aberta, dolorosa. Prefiro viver do talvez, que oscila entre a esperança da vitória e a eminente derrota. Não sei até quando serei covarde. Por outro lado nesses dias meu coração está descompassado. Ou talvez seja minha mente - pois não acho que seja realmente um sentimento e sim uma carência -  a guiar-me para outro caminho que parece ser o mais fácil e talvez o mais fútil. Tem alguém mexendo comigo e muito. Que atire a primeira pedra quem nunca duvidou do amor que sente por outrem ou que nunca tenha se sentido atraído por duas pessoas. Eu acredito que estou apenas procurando uma forma de fugir do que sinto. Ah!!! Já não sei mais nada. Se alguém conseguir entender o que acontece comigo me explique, pois eu já estou desistindo. A vida anda mais obscura e perigosa do que de costume.

Existir ou exit

O ser ou não ser da era cibernética/internética.

domingo, 2 de novembro de 2008

anjo torto

No primeiro dos sete céus, debruçado sobre o parapeito das nuvens, há um anjo. Ele observa a epopéia vivida na terra, com todas suas cenas e dramas.

Ver a vida assim, do alto, dá outra dimensão a tudo. É como se o real virasse ficção, e os personagens encarnassem papéis diversos, de autores diversos. Ali vai um rapaz inventado por Shakespeare, lá uma moça saída de um devaneio de Nelson Rodrigues, acolá uma inspiração do Veríssimo.

Estão tão ocupados com seus próprios papéis que não percebem sequer uns aos outros. Não veêm as interpretações bem feitas, os erros de script, os improvisos. Não reparam como as histórias se enlaçam umas às outras, como o caos do mundo real confunde romance com aventura, fantasia com comédia.

Lá de cima, todos parecem formigas, pequenas, agitadas, em sua rotina diária. E o anjo, que não é lá um desses de espada flamejante e auréola, mas um anjo torto, curioso, observa a tudo atentamente.

Ele goza de dons que os gregos invejariam. É capaz de ouvir pensamentos e ver sonhos adormecidos. Tem nas costas o arco do cupido, e na cinta doses de loucura e razão para distribuir pela própria vontade. Sabe atiçar os desejos humanos. A fome, a sede, a ambição, a cobiça, a lascívia. Seu passatempo predileto é bagunçar os pensamentos. Tornar as certezas incertas e o inusitado possível.

O mundo é um grande laboratório. Cada dia, dedos ágeis desencaixam peças desse gigantesco quebra-cabeças e reconfiguram tudo. Cada dia fios invisíveis se armam, como grandes teias preparadas para aprisionar estes pequenos insetos. 

E os olhos de todos - tão despreparados e cegos a esse outro mundo invisível, cegos ao anjo torto do parapeito, que gargalha feito criança às desgraças - enchem-se de razão para especular os porquês da vida.

Sem perceber que tudo ali é uma questão de reação. Tudo é questão de conquistar a simpatia do anjo. Que a vida depende das nossas atitudes com o mundo, para que ele nos responda, nos presenteie, nos acolha.

E tudo o que precisamos é atenção, compaixão, e gentileza.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

o mundo não para

As perguntas vao continuar, a polêmica, certamente, cada dia é menos polêmica e menos relevante, mas vai continuar. Você vai continuar. O mundo não vai parar, mas fica um pouco mais preto e branco. Não percebes que não estás na escuridao e que, escrevendo, podes até te aproximar dela, mas voltas sempre mais iluminado?
Talvez mudar a página, talvez descobrir outro meio, parar nao dá.
Não pode e não adianta mentir, pois sabes bem que tudo vai continuar girando, girando....nada vai parar para que saltes fora.

heartless



Gnarls Barkley - Who's gonna save my soul

dica do rodrigo

terça-feira, 28 de outubro de 2008

diálogos de uma tarde sonolenta [1]

- eu já vou cometer um crime, mas não dá pra ser um "crime-crime"

.:*:.

- Tu vais querer muito ou pouco café?
- ...     *bocejo enooooorme*
- Okay, muito....

vida própria

Às vezes a vida da gente assume formas inesperadas:
sustos, surpresas, repulsas, gozos, sentimentos (in)cômodos...

Às vezes a gente mesmo assume formas inesperadas.
Quase essa metamorfose ambulante.

da série de delcarações da meia-noite

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

chasing pavements



I'd build myself up,
And fly around in circles,
Wait then as my heart drops,
And my back begins to tingle
Finally could this be it

by adele

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

felicidade alheia

Independente do nosso estado de espírito, existe uma empatia que nos permite compartilhar da felicidade de alguém que gostamos muito e trazê-la pra junto de nós.

sorriso enigmático aqui.

e torcida...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

cotidiano

Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...

Todo dia ela diz
Que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz
Toda mulher
Diz que está me esperando
Pr'o jantar
E me beija com a boca
De café...

Todo dia eu só penso
Em poder parar
Meio-dia eu só penso
Em dizer não
Depois penso na vida
Prá levar
E me calo com a boca
De feijão...

Seis da tarde
Como era de se esperar
Ela pega
E me espera no portão
Diz que está muito louca
Prá beijar
E me beija com a boca
De paixão...

Toda noite ela diz
Pr'eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor...

chico-conta-a-vida-com-poesia-buarque

domingo, 19 de outubro de 2008

limite branco (2)

"Odeio pessoas ignorantes. Me sinto mau por não conseguir gostar de todo mundo, mas é o que sinto. Os ignorantes, os vaidosos, os usurários, os pedantes. Detesto tudo que é afetado, detesto quem não se busca. Quem se acostuma a viver, da mesma maneira que se acostuma a dormir ou comer. Viver fica uma coisa automática, pouco importa se boa ou má, vazia ou não. Basta viver, como uma obrigação da qual não se pode fugir.

Por isso admiro os suicidas. São pessoas que conseguiram descobrir alguma coisa de si mesmas, apenas não tiveram coragem de enfrentar essa descoberta. E, como se ela lhes desse vertigens, deixaram-se despencar no abismo. Mas são mais dignos do que esses que simplesmente se amoldam, sem exigências, sem perspectivas, mas também sem queixas. Lógico, se não pedem nada, queixas de quê? Roberto me deixou pensando que não é possível amar todas as pessoas, se pensarmos em cada uma delas como uma individualidade. Pode-se amar as massas, as grandes massas humanas sem feições, sem formas, nem cheiros - sem as palavras vazias de quem sequer tem a consciência de ser uma pessoa."

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

epifania

(sim, o titulo se repete...  sempre são várias ao longo da vida...)

Hoje descobri algo que me fazia muita falta, mais um vazio preenchido dentro de mim. Café ao final do dia com alguém muito especial pra conversar, com quem se pode falar de tudo, ouvir de tudo, rir um pouco de coisas bobas, planejar coisas sérias...  mais um vício (saudável) pra minha listinha de prazeres...