sexta-feira, 17 de outubro de 2008

bipolar

Meus dias se dividem entre luz e trevas, felicidade e tristeza, angustia e satisfação. Sinto que não sou infeliz, mas ao mesmo tempo existe uma vontade - e ela só se mostra em algumas situações bem específicas, mas nem por isso raras - de ser outra pessoa. Acho que nunca vou me sentir completo. Preciso das experiências de maneira tão intensa que seriam necessárias várias vidas -talvez continuas, talvez paralelas - pra ter tudo.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

madrugada

"... pára o mundo
que eu quero descer..."

"...a vida é uma sinuca
mas confio no meu taco
o meu borogodó
é do balacobaco!

rita-ver-a-vida-com-humor-lee

domingo, 12 de outubro de 2008

aquela fome

A noite está mais escura do que de costume. Mais apagada, mais cinza. Sinto ela novamente desperta dentro de mim. Não sei definir com exatidão, mas me consome. É uma espécie de fome, de angústia, uma necessidade indefinida que corrói a minha alma. Julgava tê-la finalmente superado, mas me esqueço de procurar lá no fundo, de vasculhar os baús, os sótãos. Me sinto pequeno, cego às coisas fora de seus lugares. Vivo anestesiado por um cotidiano mesquinho, pela rotina de uma não vida. Mas nesta noite de lua encoberta e calor estranhamente sufocante, não posso trancar as portas, vedar as frestas. É quase um soco no estômago. Dói. Me impede de seguir vivendo assim, banal. Preciso de mais, de maior. Não quero ser quem sou. Que digam quem sou. Quero o que eu não posso ser. Perco o sono. Perco a tranqüilidade. Os olhos ardem, o pulso acelera.  Perco cada vez mais o foco. Sinto falta do reflexo no espelho, nas páginas, nos meus atos. Sinto falta de minha própria identidade. O peito dói e é difícil explicar por quê. A alma dilacera. É difícil esconder. Perco a capacidade de lidar com o que sinto. Preciso gritar. Jogar tudo para o alto. Preciso fugir. Estou sem rumo. Sem abrigo. Não existe um lugar seguro. Nem um destino. A salvação está além do meu alcance.

dúvida

te olhar assim
nos olhos
num dia como este

é como olhar
a tempestade que chega
o mar revolto e escuro

me faz pensar em coisas
que eu nem sei se quero
nem sei se sinto

como vou saber
se é um dia como este
ou o teu olhar de sempre
o que me afoga?

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Faith

Would it please you more if i said 'if' instead of 'when"?

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Biruta

A intensidade
dos ventos
se mede

com a vontade
de ficar

Paulo Madureira

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

epifania

olhar no fundo da própria alma é uma tarefa perigosa e pode revelar que algumas certezas e sentimentos começaram a morrer dentro da gente...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

psicossomático

Têm certos dias que dá uma vontade de desistir de tudo.

quando coisas ruins acontecem e a gente sente o peso das emoções sobre o corpo, na forma de dor, de aperto, de falta de ar.

têm certos dias que estar vivo não é uma benção, mas uma maldição.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

As piores coisas sempre são feitas com as melhores intenções*

* Oscar Wilde





Campanha da Anistia Internacional

"Depois dos jogos olímpicos, a luta pelos direitos humanos precisa continuar"

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Justificativa

Não apareço muito por aqui. A vida anda agitada.

Ainda.

Acho que nunca vai mudar, nunca vai ser calma, a menos que algo ruim aconteça. Este é o ritmo natural do mundo agora, sem muito tempo para aquilo que não parece necessário. Meus poucos posts se resumiram a cópias de poemas que aparecem nos ônibus de Porto Alegre. Traduz bem a minha rotina. Correria de um lado ao outro da cidade, algum tempo na web, e as tarefas necessárias à vida de cada dia. Ao menos ando dormindo o suficiente. Nem eu acredito.

Tenho mais uns 3 poemas na manga pra postar aqui, mas não os lembro completamente. Qualquer dia os reencontro nas janelas e memorizo. Foi assim com cada um dos que escrevi neste blog.

Vida longa a quem ainda lê essas breves linhas! E até logo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

do ônibus III

Degustação

Da batata da tua perna
À maça do teu rosto
Sinto teu gosto
E sinto que gosto

Juliano Osterlund

quarta-feira, 2 de julho de 2008

do ônibus II

Eu tenho uma falha mecânica nos olhos
e um metal enferrujado no joelho
tenho cartas explícitas nas mangas
e uso colete a prova de balas de hortelã
sou o destinatário de enormes e lacradas cartas
que eu não remeto.

Márcia Carneiro

Vida agitada.
Vida-não-vida.
Mas eu volto...